Hoje eu lembrei do meu vestido de formatura. Minha mãe gastou muito dinheiro nele, e sempre que lembro penso
que foi muito bem gasto. Até hoje eu me lembro dele com uma das melhores sensações do mundo. Aquele foi O vestido pra mim, e assim como tem gente que se lembra de um antigo namorado, ou de um bichinho de estimação muito especial, eu vou lembrar desse vestido. Mas a melhor parte: ele não me decepcionou, nem morreu, ele teve o seu tempo perfeito de existência na minha memória. Era azul marinho, as costas tinham uma fita feita do tecido do vestido, como um corselet, o busto era levemente drapeado e tinha algumas miçangas brilhosas bem sutis só pra dar um brilho. Era pra ser um tomara-que-caia, mas eu me senti melhor quando a costureira da loja de aluguel fez duas alcinhas pra eu prender ele no pescoço. A sensação que eu lembro daquele vestido me cura de tristezas.
Esse vestido, é claro, me lembrou do fim do colégio. Foi em 2009 meu 3º ano, e eu posso dizer que ainda não superei. O que eu quero dizer com isso é que desde então a vida parece mais difícil, as pessoas piores e os relacionamentos mais complicados. Então, é claro que eu lembro como sendo uma época maravilhosa da minha vida com um sentimento sem igual. Nenhum sorvete pode substituir minhas lembranças do 3º ano.
E agora eu cheguei ao fim de mais um “último ano”. Meio ridículo pensar último ano pra uma coisa
que só durou um ano e meio -eu confesso, eu só digo 2 anos ou 2 anos e meio pra dar uma sensação maior de seriedade quando as pessoas perguntam sobre o curso, mas depende de quando cada um começa e outros fatores- mas é o fim de mais uma jornada pra mim. Acho que pra mim isso certamente soa mais importante do que pras outras pessoas que estão terminando comigo, afinal pra mim isso é como minha primeira faculdade. Me deixem exagerar, não quero que pensem que sou menos do que os outros da minha idade, do que os meus amigos. E agora bateu aquela mesma sensação de nostalgia do colégio. Essa sensação diz às pessoas da minha memória: muito obrigada, aprendi muito, foi muito bom passar esse tempo com vocês. Posso esquecer do nome de vocês mas não me esqueci pelo que passamos. Sinto dizer mas sou a pior pessoa em manter contatos, sou de saber seu nome e ter vergonha de ir falar com você quando te vir na rua por não ter jeito com conversa esquisita. Essa conversa esquisita de gente que não se vê a muito tempo, ou que não sabe direito o que conversar, é tão difícil! Essas coisas que ninguém ensina eu acho tão difíceis: não ficar nervosa em entrevista de emprego e saber o que falar fluentemente, conversas de encontros por acaso, como é que eu faço?! As vezes pergunto pra minha mãe como fazer, mas agora ela raramente tem as respostas. Ai eu fico quieta, sentindo sozinha, tentando descobrir como fazer/sentir/lidar. Essa história de jovem adulto pra mim é só uma versão mais complicada e com mais expectativas da adolescência. Tenho tantas dúvidas como antes, acho que mais.
À quem esteve comigo nesse um ano e meio: muito obrigada.
À quem não fala mais comigo e mora longe: até me pergunto “será que se eu for até ai você fala comigo? Se eu te ligar de um telefone com o código da sua cidade você atende?”. Não esqueço de você um dia. Você ainda pode ser meu amigo, eu ainda deixo, mesmo depois desse tempo em silêncio se você voltar eu perdoo. Quer saber? Vou diretamente à sua namorada: deixa ele ser meu amigo, é só o que eu quero.
GODDAMNIT!
Update: Ele voltou a falar comigo, meu melhor amigo de tão longe apesar de agora eu estar esperando uma resposta de e-mail à algumas semanas… hnf!