Desde que eu nasci isso estava escrito. Escrito nas estrelas, nos astros. No meu mapa astral mostra que eu podia vir a ter uma certa queda pela sadomasoquismo. Eu acho que ultrapassa uma queda, talvez seja quase um problema psicológico. Sádica: sim, com certeza; morder é o meu carinho, rir da desgraça alheia é a diversão. Masoquista: só quando estou sentimentalmente vulnerável – considere essas duas palavras como minha escolha de palavras pra não dizer amando ou apaixonada.
Um corte – metáfora, não é literalmente - me faz lembrar do que eu sinto, dor me faz sentir humana e acalma o orgulho e egoísmo, o medo também. Meu ultimo ato de vandalismo brutal com o sentimento alheio foi deixar alguém pra não ter que vê-lo sofrer mais. Bem, eu não estou mais vendo, mas além de sentir o meu sofrimento agora eu to sentindo o do outro. O dobro de dor, é eu posso agüentar – assim disse o Leão. O dobro de dor, eu não agüento mais isso – assim disse o Gatinho. Mas, estou tentando – sem muitas esperanças, isso é para os tolos – controlar o egoísmo, porque ultimamente ele tem saido de controle de uma forma absurda. Como os viciados que nem percebem mais quando estão praticando seu vício, passa a ser inconsciente, assim pra mim é o egoísmo; será que eu realmente não conheço nada além dele?
Como a virginiana catastrófica que eu sou estou pensando em um plano lógico para tentar controlar o maldito. Me manter longe da pessoa que eu gosto, ele é tão forte que eu tenho certeza um dia vai acordar e nem vai mais lembrar da cor dos meus olhos – eu espero. Isso evita que eu o faça de idiota de novo. Pensar mais nos outros seria uma boa, apesar de que isso desestabilizaria toda minha rede de insultos e cortes inteligentes. Parar de ler esses livros corruptíveis, talvez voltar para o básico: contos de fadas.
Ok, pausa no plano porque por enquanto não consigo pensar nele, só no gosto de lágrimas. Chorando como um Gatinho, soluçando e apertando os lábios. Eu odeio chorar assim, eu odeio estar vulnerável. Isso só pode ser o mais puro masoquismo emocional, reler o tempo todo aquelas palavras postas juntas por minha causa, pensar que eu não vou voltar pra não piorar tudo de novo. O pior de tudo isso é saber que um choro meu não significa quase nada, e que eu não aprendo com os meus erros. Não sejam tolos de acreditarem no sofrimento de um crocodilo, lágrimas de crocodilo, e não importa tudo que eu esteja sentindo agora se me derem outra chance eu vou errar do mesmo jeito ou pior.
O que há pra ser consertado é inconsertável: eu.
adição do dia 10/01/2009:
Agradeço por não ser consertável, por ser um crocodilo que chora ao devorar um bichinho que virou refeição, que tem porte de leão e coração de gatinho. People change, thank god i did.