Reescreva











{30 Junho, 2008}   JPN Pride

Hoje eu tive uma aula de geografia que basicamente dizia: “os japonêses são fodaaas!”, e eu única pessoa consciente disso tinha vontade de levantar uma placa em letras piscantes dizendo ”eu já sabia!”. Bem, começou a mais ou menos três anos atrás essa minha consciência. Como a maioria das pessoas desse “mundo” eu comecei tomando a consciência dos mangás e animes. “Oh, isso significa que aqueles desenhos com personagens de olhos grandes que eu via desde criança eram os animes! E então, eu sempre tive vestígios do Japão durante toda minha vida?” “Sim, tola criança” “Ohh! Agora tudo faz sentido! Isso é fabuloso!”.
Eu comecei com Chobits, algo típico para me apresentar a um mundo totalmente novo. Um mundo sem preconceitos robóticos, onde a sexualidade reprimida era transmitida na forma de contextos aparentemente inocentes com referências eróticas nem tão sutis assim, onde ninfetas são tidas como belos presentes da natureza por suas características inocente-eróticas (vide Chii, a protagonista de Chobits), onde roupa estranha é bermuda e tênis de marca-filhinho-de-papai, onde você não é considerado estranho. Então, de repente essa menina perdida achou seu lugar no mundo? Um lugar que curiosamente esteve sempre a espreita. A espreita na forma de uma prima otaku desde criança, a qual eu adorava.
Então veio a música. Como eu digo: sempre ela. E de alguma forma aquilo é totalmente diferente do que ocidentais sabem fazer. Não tem fórmula, não tem necessidade de popularidade. Tem outra coisa, um sentimento que cada música passa, que cada uma faz mais sentido do que milhões de bandinhas americanas fariam juntas. Uma vontade de levar aquilo junto de você. Talvez a unica mudança real que haja seja a letra, mas após todo esse tempo dessa silenciosa globalização japonesa na minha cabeça ela parece mágica; John Lennon provavelmente diria isso do LSD.
Neste fim de semana eu tive mais uma prova de que o Japão esteve e está e sempre estará a frente de todos nós. Fui à exposição Nippon que está acontecendo no Centro Cultural Banco do Brasil. O C.C.B.B. quando faz alguma exposição desse tipo não é de brincadeira; pra uma aficcionada como eu aquilo era mágico. Um resumo da exposição pode ser pura e simplesmente: o Japão é incrível e sempre esteve à frente de nós, reles ocidentais. Tudo era pensado para alcançar a perfeição, e a perfeição vinha com o equilíbrio, a praticidade e a inteligência. A parte que me pareceu mais fantástica sobre a história desse país que mudou a minha vida foi sobre a religião católica. Na idade média essa crença/política dominava tudo e todos, cada pensamento que ocorria era regido por esse maldito freio na forma de uma cruz, amém. Enquanto todo o ocidente se submetia à ignorância e à fé cega, tendo como conclusão a estupidez na qual vivemos hoje, o
Japão simplesmente fechou suas portas para isso e baniu o catolicismo do seu território; eles achavam que essa crença iria influenciar em suas tradições; como são espertos esses japoneses! Hoje em dia essa atitude pode ser traduzida como a mais esperta virada de jogo em uma época de sombras e ignorância generalizada. Enquanto a elite do lado de fora comia toda a comida produzida pelos súditos, zombando deles com seus privilégios de berço a elite do Japão enriqueciam a cultura dos Samurais, que além de exímios lutadores são dedicados às artes e ao pensamento. Por isso hoje em dia o Japão contra globalizado mantém suas tradições tão vivas quanto sua anti cultura.
Mas devo avisar aos interessados, a contra cultura não é para qualquer aventureiro. Exige mente aberta livre de preconceitos, sensibilidade artística apurada, olhos para ver o que quiser e não o que se impõe, criatividade e um senso de rebeldia já da alma. É portanto algo que já está andando ao teu lado, não te cruza o caminho sem que já estivesse predestinado desse modo, se não for pra você, não espere.

Título do post é uma música do Miyavi na qual ele ressalta o orgulho dele em ser japonês. Eu também teria muito orgulho se fosse japonesa, já que eu não sou eu tenho orgulho pelo Japão ter me feito eu mesma.



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