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{17 Março, 2008}   Nostalgia

sakura_menor.jpgMe surpreendi hoje, comigo mesma. Achei incrível, vou ver se faço mais dessas. O que eu fiz foi me surpreender no meio de tamanha indecisão. Ia chegar muito cedo no curso de inglês e estava em um ônibus que me deixaria em frente ao lugar. Resolvi descer uns três pontos antes do que devia e sair andando, primeiramente para a Pump – aquela máquina de dançar. A minha indecisão era tamanha que eu fazia o caminho mais embolado por não saber direito pra onde ia. Lá pelo meio dessa embolação eu lembrei: “hey, eu estou perto de onde eu estudei a 6 anos atrás”. Meia volta. De repente eu me vi num sorriso em frente aquela escola onde eu estive dos dois anos de idade até uns onze ou doze. Obviamente que eu fui muito marcada por aquele lugar, lá eu me tornei uma criança fofa e solitária, culta e animada – sim eu fui uma criança criada em meio a livros e artes, criançinha culta, imagina? – e eu sai correndo pra entrar. Era como respirar um ar mais leve que em outros lugares, um ar de quando eu ainda tinha menos da metade do meu tamanho. Nostalgia. Saudade de quando tudo era mais fácil. Percorri alguns lugares daquela escola pequena e confortável, espetada no meio de um bairro residencial porém cheio de comércio onde vivo até hoje. É cheia de área aberta, árvores e arte aquele lugar. Eu andei por lá um tempo, revi pessoas que me diziam o quão crescida e bonita – a cara da minha mãe – eu estou. Aquele ar me renovou, bombeou de outro modo o meu coração, me deixou tão mais leve.
Tenho que comentar sobre a diretora, ela sempre teve um ar de “ancião sábio”. E da tanta agonia quando ela olha pra gente e parece que tá vendo a nossa alma, você pode pensar em mil coisas que ela poderia estar pensando naquele momento mas provavelmente tá tudo errado. Isso foi sempre assim desde que eu tenho cachinhos dourados, e eu tenho certeza que ela ainda me vê com cachinhos dourados, olhos azuis e da altura da mesa de trabalho dela. Por algum motivo que eu não sei, acho que ela foi realmente importante pra mim, mas parece que eu não lembro.
Foi maravilhoso ter ido até lá. Um lugar que eu sabia que já havia chamado de lar, doce lar um dia mas que hoje faz parte de um passado feliz onde eu chego fácil andando da minha casa. Quando fui embora eu tive a sensação de ser uma criança que no tempo de um passo – o de sair daquela escola – vira uma jovem crescida e de repente a mesma pessoa só que de um jeito tão diferente. A alguns passos dali eu sentia outra sensação, a de que lá havia sido por muito tempo meu lar, mas hoje meu lar é outro lugar, talvez o mundo.



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