Começou às 5:30 da manhã. Blusa de botão, saia de pregas azul marinho, moleca preta e meias brancas; uniforme do colégio, dos mais tradicionais da cidade, aquele tipo de colegial em que os velhos babam como mosca em padaria. Escola em um sábado, pura diversão e ironia. Saí do colégio antes da tarde começar. Troquei por um short curtíssimo preto, escândalos por parte dos meus pais. Pernas e pés molhados da chuva e atrasada pra encontrar com os barbudos: um deles um barbudo novo pra mim; o outro meu melhor amigo que escreveu o post ai embaixo – inclua aqui lágrima de emoção. De Volta Para o Futuro, mas ainda no presente, meu celular de maneira muito incomum não parou de tocar. Abstrair e sair andando pela chuva, entrar no ônibus com dois amigos pra ir a uma festa, completamente encharcada e feliz por isso. Salto e short, isso escandalizaria ainda mais. E sobre dançar: “dance like no one is watching”, “dance like a whore, just whore on the floor” e detalhes divertidos.
Minha noite terminou na minha idade, uma da manhã morta de dançar, sono por estar há 20 horas acordada mas feliz e animada.
Talvez eu seja realmente uma princesinha, mimada e egocêntrica, arrogante e fútil. Os que pouco me conhecem talvez duvidem, mas os que realmente me conhecem terão certeza. E me conhecer não é verdadeiramente difícil, só precisa ser flexível e aceitar que eu posso ser doce e fel, eu sou transparente mesmo não querendo.
Como essa tal princesinha que eu sou, muito exigente e entediada, eu quero sempre mais – inclua música do Ira aqui – eu me canso fácil das coisas, eu preciso de luxo, conforto e surpresas. Eu sempre quero tudo na hora, eu quero ter tudo que eu quero, não adianta, eu não cedo fácil, eu sou teimosa, arrogantíssima, egocêntrica e chata, muito chata. Me ame ou me odeie, só não fique em dúvida; decifra-me, não me deixe entediada se não eu te devoro e peço o próximo.
Praticamente um aviso, um prólogo ou um pedido de socorro, hein?
Domingo me mata de tédio, o problema são essas expressões “me mata”, porque a gente sabe que – o pior é que- não mata. Saudade não mata, tédio não mata, estudar tanto não mata, pensar não mata, se apaixonar não mata, mas tudo isso gasta.